Neste trabalho, há os rostos de veteranos que participaram da série de TV, como o diretor Yamauchi (centro da fileira da frente) e o senhor Masahiro Hosoda (à direita da fila da frente), e de pessoas que admiravam o universo de “Seiya” criado por esses veteranos e vieram a ingressar na produção, como o senhor Tatsuya Nagamine (à direita da fila traseira).

 

“Os Homens que Desafiaram a Saga de Hades”

O estafe que se encarregou da direção de cada episódio junto com o diretor Yamauchi e que conhece todos os detalhes do processo de confecção de Hades: A Saga das 12 Casas se reúne!! Entramos em contato direto para saber como eles criaram uma nova lenda de Seiya!!

 

O RENASCIMENTO DE “SAINT SEIYA”! OS JOVENS RUMAM NOVAMENTE PARA AS 12 CASAS!!

 

— Nesta produção de agora, Hades: A Saga das 12 Casas, o ponto mais dissonante em relação ao mangá foi a forma de retratar Seiya e os demais cavaleiros de bronze, não é? 

Yamauchi: Quando falamos de Saint Seiya, tal qual o refrão do tema sonoro “Saint Seiya: os jovens são todos (…)”, existe uma imagem radiante e vigorosa, certo? Mas, ao ler os quadrinhos desta parte que convertemos em anime agora, não encontramos esses elementos em nenhum lugar. Está mais para uma história para adultos, sombria e triste. É por isso que, ao colocar os cavaleiros dourados também na abertura, nós estampamos na fachada que se trata de uma história dos cavaleiros de ouro. Mesmo assim, como não tinha jeito de deixar o Seiya de fora, quebramos a cabeça.

Sasaki: Afinal, se fizéssemos de acordo com o mangá, o Seiya pegaria no sono no episódio 1 e despertaria só no episódio 12. (Risos.)

No mangá, Seiya é enviado a Star Hill por Mu logo no início da Saga de Hades e só acorda na iminência do suicídio de Atena. Como a composição da série optou por aumentar a atuação de Pégaso nos 13 OVAs, ele é atirado no coliseu do Santuário e desperta no episódio 5

Yamauchi: Numa produção em que Saint Seiya volta após 13 anos, não tem como não mostrar o Seiya, o protagonista.

Nagamine: Ainda que ele não dê as caras do episódio 2 ao episódio 4, não é? (Risos.)

Sasaki: Por falar nisso, é verdade! (Risos.)

Yamauchi: Foi porque respeitamos o mangá o máximo que pudemos. Ainda que alteremos a composição em certo nível para mostrar o Seiya, não podemos transformar numa história completamente diferente do mangá, não é verdade? A propósito, também surgiram complicações com o fato de termos deixado o Seiya nas 12 Casas. Tivemos de nos certificar que ele avançasse na frente, ultrapassando o Sion e os demais. Ainda bem que quem teve de descascar o abacaxi foi o Hosoda, que estava a cargo do storyboard desse capítulo. (Risos.)

 

AS HISTÓRIAS SECRETAS DOS BASTIDORES DA SÉRIE DE TV SERÃO REVELADAS APÓS 13 ANOS!!

 

— A série de TV foi produzida praticamente ao mesmo tempo que o mangá, mas, com o fato de a produção de agora ser feita após a conclusão da obra original, há diferenças ou peculiaridades? 

Yamauchi: Eu ingressei na série de TV de “Seiya” no meio do caminho. Por isso, eu me dedicava de corpo e alma para achar a fórmula de como preparar os episódios ao meu próprio estilo; não havia nenhuma margem para o domínio da cronologia da produção e o nascimento do sentimento de que eu faria o trabalho brilhar. (Risos.)

A grande abertura, de autoria do senhor Tatsuya Nagamine. Por haver a princípio planos de incluir um trecho — no começo do episódio 1 — em que Seiya tornaria a rumar para o Santuário a fim de procurar a irmã mais velha (Seika) após o término da guerra contra Posseidon, o filme acabou se tornando um conteúdo com essa narrativa ao incorporar tais elementos

Nagamine: Na época da difusão da série de TV, eu era um estudante do ensino médio e, quando quebrei o braço esquerdo, brincava imaginando que o gesso era uma armadura e ficava soltando “Meteoros de Pégaso!” e tal… (Risos.) Nesta produção de agora, na hora de criar cenas originais do anime, que não existem no mangá, eu tento me lançar ao trabalho após assimilar o espírito do mestre Kurumada por meio da leitura dos quadrinhos. O fato é que, se não fizer isso, não vira “Seiya”. Por isso, quando arrumava um tempo livre, eu relia o mangá do começo ao fim. Também revejo vários episódios da série de TV. O anime possui as deliciosas partes únicas do anime, não é? Os dois filmes dirigidos pelo senhor Yamauchi, em especial, se tornaram uma referência.

Yamauchi: O produtor Sakurada também falou: “Desta vez, vamos fazer com uma atmosfera de filmes para o cinema”…

Nagamine: E, também, o Aiolia do episódio que o senhor Araki fez era maneiro. As cenas em que ele dispara o Plasma Relâmpago são absurdamente maneiras.

Aiolia dispara o Plasma Relâmpago no episódio 10. Para os diretores de episódios, as técnicas secretas dos cavaleiros que também foram mostradas na série de TV são, concomitantemente, o palco para mostrarem seu talento e cenas que os submetem a uma grande pressão

Hosoda: É que a animação foi boa naquele. Ele também ficou marcado na minha mente. Nesta série de agora também, no episódio 10, fiz uma tomada do Plasma Relâmpago depois de 13 anos e, naturalmente, tenho que criar algo que supere aquela cena. Eu ponderei e refleti muito sobre como isto poderia ser possível e também discuti com o departamento digital com frequência. Incluindo essa, havia uma pressão para tornarmos a fazer as técnicas já aprimoradas na série de TV.

Apesar de todo o talento do senhor Hosoda, é impossível superar os efeitos estroboscópicos do episódio 51 da série de TV. Dirigido pelo senhor Masayuki Akehi, o episódio de 1987 teve a animação assinada pelo mestre Shingo Araki

Yamauchi: Desde antigamente, o Hosoda não apenas é sério mas obstinado. Quando estávamos fazendo a série de TV, eu lhe pedi uma cena em que o Hyoga disparava o Pó de Diamante convicto de que ele poderia fazê-lo rapidamente, mas, mesmo que vários dias se passassem, ela não era entregue. Quando eu pedia, ele só respondia: “Estou trabalhando nela agora”, sem falar do progresso e tal. No fim das contas, acabou que, vendo-a pela primeira vez após a compleição do filme, a cena estava incrível! Supunha-se que somente o Pó de Diamante seria reproduzido por meio do efeito de luz transmitida e, quando penso que os cristais de gelo só voariam da forma habitual, eles tomam a forma de um cisne de uma hora para outra e estouram. Quando eu perguntava sobre o progresso, ele estava fazendo esse troço complicadíssimo e não disse uma só palavra, mas parece que ele estava construindo, calado e sozinho, uma máscara de luz transmitida.

Todos: In… incrível!!

Nagamine: Se fosse eu, eu acabaria me gabando para o pessoal ao redor: “É que estou fazendo um negócio fantástico agora! Então, vai demorar e é supercomplicado!” (Risos.)

Sasaki: Eu sou fã de longa data de “Seiya”, mas, como a difusão na televisão começou no primeiro ano após meu ingresso na empresa, não me deixaram entrar no estafe de criação. Para piorar, na época, eu só estava fazendo produções sobre a vida cotidiana, diametralmente opostas a “Seiya”. Ao espiar as complexas planilhas de tempo da obra, eu ficava babando de inveja enquanto pensava “Mas Que legal… Tem esse monte de cenas extravagantes. Eu também quero fazer!” (Risos.)

O produtor Hiroyuki Sakurada (à direita na foto). Até então, entre outras atribuições, desempenhou a função de produtor de Yu-Gi-Oh! (versão cinematográfica) e do filme Digimon Adventures 2: A Vingança de Diaboromon

Ainda hoje, como adoro o seriado, também quando estou trabalhando em outras produções, eu costumo tirar do fundo do baú sugestões do seguinte tipo: “O que acham de fazermos esta cena à moda de ‘Seiya’?”; porém, entre os jovens animadores, também existem pessoas de uma geração que nunca viu “Seiya” na vida. Com o estafe de Hades: A Saga das 12 Casas, também é o mesmo. Foi duro ter tido que ensinar a eles as convenções próprias de “Seiya”. (Risos.) Como não integrei a equipe do seriado da televisão, apesar de ter ciência de coisas como a pose em que os cavaleiros correm ou o modo como eles são jogados contra uma parede quando mandados pelo ar por uma técnica assassina, eu não era capaz de explicar em termos técnicos de que forma eles devem desenhar para obter tais efeitos. Por isso, pesquisei ao pausar frame por frame dos vídeos da série de TV.

Nagamine: No meu caso, quando não conseguia de jeito nenhum fazer com que os animadores compreendessem, eu me “sacrificava”, reproduzindo eu mesmo os movimentos: “É assim!”

Todos: (Explosão de gargalhadas.)

Nagamine: É mesmo! Nos episódios do Sasaki e do Itō, quando eles me mostraram os leiautes do senhor Araki (Shingo), eu fiquei emocionado. Ambos adentravam a seara da arte. Sem perceber, os enfileirei e acabei de olhos grudados neles.

Introdução do episódio 1, de autoria do diretor Yamauchi. A cena em que Máscara-da-Morte e Afrodite aparecem diante de Mu junto com Sion. O corte foi retratado com o toque característico do senhor Yamauchi, enfatizando o sombreamento. A explicação da sequência também é concisa

Yamauchi: Elementos como os ângulos e a deformação do senhor Araki são únicos. As outras pessoas não são capazes de imitar. Eu, ao contrário do senhor Araki, tento expressar da forma mais realística possível. O fato de, apesar disso, eu ser compatível com o senhor Araki é um mistério.

Sasaki: Ao observar o jeito dos dois nos briefings da animação, fico com uma impressão de que o senhor Araki escuta as palavras que o senhor Yamauchi transmite enquanto as decodifica para um idioma próprio. Olhando apenas para o esboço do storyboard do senhor Yamauchi, não consigo intuir que tipo de cena será, mas, ao ver o leiaute finalizado pelo senhor Araki, ele atinge um nível de acabamento mediante o qual consigo sacar: “Ah, entendi!” Nessas horas, mais uma vez, salta aos olhos como a parceria desses dois é incrível, sabe?

O diretor Yamauchi é um especialista em direções que capturam a tela em três dimensões. Esta é a cena do embate de Seiya com Máscara-da-Morte, no episódio 1

 

A IMAGEM QUE SE TORNOU UMA VISÃO E A IMAGEM QUE DEVERIA SE TORNAR UMA VISÃO

 

— Quanto à grande abertura de agora, vocês mudaram muito a imagem em relação à abertura da série de TV. Por favor, falem-me do processo de confecção.

Nagamine: A sequência em que os cinco cavaleiros de bronze aparecerem nus, no comecinho, foi bastante problemática. Como estava perdido, em dúvida se colocava as armaduras neles ou os deixava com as mesmas camisetas de sempre, entre outras coisas, consultei o senhor Tsujita, da configuração de cores.

Tsujita: É que acabaria ficando pesado, se colocassem as armaduras neles. E não gostaríamos que ficasse com uma imagem belicosa. 

Nagamine: Com o senhor Yamauchi dizendo que retrataríamos um breve momento de descanso após a batalha contra Posseidon, eu me perguntava como seria se eles usassem armaduras desde o início. Então, acabou ficando daquele jeito no fim das contas. Quanto às outras sequências, reunimos as ideias de todo mundo e pretendíamos terminar com uma sequência na qual o Seiya chegava ao Santuário. Entretanto, o que eu escutava enquanto botava a mão na massa era uma canção demo, e o epílogo da letra da canção finalizada passou para “Gira, gira, gira”. Naquela hora, eu fiquei surpreso, sabe? Como não tinha outro jeito, girei os desenhos também… (Risos.) e decidi encerrar com as flores das árvores-do-sal, o símbolo de Hades: A Saga das 12 Casas.

Dirigida pelo senhor Tatsuya Nagamine, a abertura principal dos OVAs é uma obra de arte

Yamauchi: Os comentários das prévias que o Nagamine fez também acertaram em cheio. Como a qualidade da narração para a propaganda antes de os episódios irem ao ar ficava excelente, se eu deixasse com ele, pedi que ele fizesse praticamente todas as prévias. (Risos.) 

Nagamine: Na época em que os fiz, absorvi o poder kurumadiano ao ler o mangá de trás para frente e, elevando a tensão ao assistir a várias prévias de episódios da série de TV, eu escrevi tudo numa sentada. É por isso que foi como se eu tivesse passado a incorporar o espírito de “Seiya”.

Sasaki: De todo modo, você era o mais entusiasmado de toda a equipe! (Risos.)

Yamauchi: O que mais gastou dinheiro também foi o Nagamine. Toca uma Harpa, coloca um personagem que não fala mais que uma palavra e faz o pro wrestler Takayama interpretá-lo… (Risos.)

Apesar do cartel sofrível no MMA, o incrível espírito de luta demonstrado na guerra contra Don Frye catapultou o senhor Yoshihiro Takayama à condição de celebridade nacional

Nagamine: Na hora da dublagem do senhor Takayama, eu fui ao delírio. Cheguei até a fazer uma demonstração do Grande Esmagador de Montanhas diante do próprio senhor Takayama e sair correndo de um lado para o outro na sala de gravação. Tamanha era a empolgação que o pessoal ficou preocupado, perguntando se estava tudo bem comigo. (Risos.)

Yamauchi: É a mesma coisa com a abertura e com as prévias, mas o Nagamine é bom na confecção de segmentos com estilo de clipe musical. Foi exatamente assim no episódio 11, na sequência de cenas com o tema sonoro ao fundo que se inicia após Atena apunhalar a garganta com uma adaga de ouro.

Dirigida pelo senhor Tatsuya Nagamine, a tomada da morte de Saori mais parece um clipe musical

— Os espectros são entidades que lembram os cavaleiros. Como eles foram diferenciados?

Yamauchi: Não foi de uma forma especialmente consciente. Mas eu gosto dos espectros. Eles parecem levar uma vida dentro do armário; em alguns aspectos, inspiram pena. Com exceção de alguns poucos, foram tratados como produtos de segunda linha. Talvez só tenhamos conseguido ter empatia pelo Radamante.

Cena do confronto de Mu e Papillon, no episódio 7, dirigido pelo senhor Itō. Desenhando até as partes da sobrepeliz, ficou extremamente esmerado

—Tinha uma cena do Radamante entornando um copo. O conteúdo do copo era álcool?

Nagamine: Sim. A relação do Radamante com a Pandora não é complicada? Falando francamente, tudo que o Radamante está dizendo está correto, e é nas coisas que a Pandora fala que há um monte de inconsistências, não é verdade? Entretanto, por ser extremamente circunspecto, ele jamais deixa transparecer sua insatisfação em relação à Pandora, sua ama. Embora ele mesmo não esteja ciente, provavelmente também se sente atraído pela Pandora. Portanto, ao tomar o uísque enquanto ouve a harpa dela, ele está tentando apaziguar esses sentimentos complexos… Eu incluí aquela cena com esse tipo de ideia em mente. 

Radamante bebe uísque, cena do episódio 11 que tem a preferência do senhor Nagamine. Talvez por influência das produções de que sempre participou, todos os personagens desenhados no storyboard do senhor Nagamine têm o rosto redondo e são adoráveis — uma diversão para os olhos

— No episódio 11, Atena apareceu com um Seiya indumentado com a armadura divina; no entanto, naquela sequência do storyboard, havia um “X” e estava escrito “Trocar pelo Seiya e pela Saori do episódio com o Jamian (o episódio 30 da série de TV, Queime! Cosmo do Amor)”. Mas, no fim das contas, a cena foi restituída. Por quê?

Nagamine: Com o storyboard desse episódio, que foi dirigido pelo senhor Yamauchi, tendo um acabamento inacreditavelmente deslumbrante e repleto de sensibilidade, não consegui extrair a sequência direito. Eliminá-la no meio do caminho seria um desperdício, e também pensei se não seria um desrespeito ao senhor Yamauchi. Por isso, sob a premissa de que se tratava de um sonho do Seiya, seguindo o plano original, eu o deixei com a armadura divina.

Em face da impossibilidade de replicar a atmosfera mágica do episódio 30, o diretor Tatsuya Nagamine seguiu os planos originais, realizando uma tomada com um sonho premonitório de Pégaso

Yamauchi: Eu lembrei disto por causa desta conversa, mas tenho recordações do episódio em que o Jamian apareceu. Aquele capítulo é uma história em que a Saori é sequestrada pelos corvos manipulados pelo Jamian, e o Seiya os persegue, mas, como ficaria monótono se o Pégaso simplesmente acabasse com eles, foi exigente em termos de direção. E, também, o diretor de animação era o senhor Araki, mas ficou marcado em mim que ele perguntou se não deveríamos remover o colar que a Saori havia usado até o episódio anterior. Como a Saori dos episódios anteriores passava a impressão de ser uma princesinha inacessível, exibindo graficamente a parte que faltava, tentamos mostrar a faceta frágil de menina. Ainda que “Seiya” talvez fosse uma produção voltada para crianças, nós sempre fazíamos a série sob o ponto de vista dos adultos.

Na verdade, o colar de Saori “desaparece” na segunda metade do episódio 29, que teve a animação dirigida pelo senhor Mitsuo Shindō. É provável que isso tenha sido feito a pedido do mestre Araki a fim de harmonizar os episódios

— Falando das asas do Papillon, a gradação foi estupendamente representada por meios digitais. Para criar aquelas tonalidades, elas foram desenhadas digitalmente?

Tsujita: É que, mais do que as cores, reproduzir o movimento daquelas asas por meio de células é impossível, não é verdade? 

Brilhantemente delineado no storyboard do senhor Naozumi (Naoyuki) Itō, Papillon revela sua verdadeira identidade após o término de sua metamorfose evolutiva. O matizamento e a movimentação das asas foram processados de forma digital

Itō: Na época da difusão do seriado da TV, acabaríamos sendo escorraçados pelo pessoal do acabamento, se pedíssemos para fazer aquilo por intermédio de células. (Risos.) Quanto ao Papillon, ainda bem que ele ficou com um acabamento soberbo, incluindo as asas, mas, ao ver aquelas cores pela primeira vez, fiquei um pouco perdido. A primeira vez que ele apareceu foi no episódio 7, que eu fiz; porém, além de ele mesmo envergar uma sobrepeliz laranja, o Gigant, que aparece junto com ele, tem uma sobrepeliz vermelho-escura! Até o episódio 7, quando se falava de “espectros”, nós nos referíamos ao grupo de Saga e, como o matiz das sobrepelizes do trio estava na minha cabeça, para ser franco, eu sofri para entender por que a cor das sobrepelizes do Papillon e dos outros é diferente.

Cruciais para a diversificação dos personagens na animação, as cores do senhor Kunio Tsujita exalçaram a presença dos espectros

Tsujita: Aquelas cores foram sugeridas ao Itō por mim. Desde o início, eu estava pensando se esses tipos de cores não seriam viáveis na variação de sobrepelizes. Mas, como o título do episódio 7, de todas as opções, era “O Rebanho de Vestes Negras”, o Itō retorquiu: “Mas não são negras!” Nessa hora, eu o persuadi com desculpas como “Bem, é que aquele título se refere à escuridão no coração deles” e tal.

Todos: (Explosão de gargalhadas.)

A gravação desta entrevista foi realizada na Tōei Animation, na última dezena do mês de junho. No meio da entrevista, o senhor Tsujita, do design de cores, e o senhor Morita, assistente da produção, entraram de penetras. Com todos eles replicando tão logo alguém começava a falar, como se as lembranças da produção não tivessem fim, acabamos ultrapassando o horário planejado num piscar de olhos. Foi Um tempinho que nos forçou a perceber que “Seiya” é amado pelo estafe

Sasaki: Até porque, no mangá, na primeira vez que se depara com as sobrepelizes, o Mu diz: “Elas emitem uma luminescência escura, como se fossem pedras preciosas do submundo”, mas, no episódio 1, ao mudarem para “(…) uma escuridão insondável como a das trevas, um brilho gélido como o da Lua”, expressaram habilmente a tonalidade das sobrepelizes sem recorrer à palavra “negras”.

Ainda que não tenhamos seguido à risca essa descrição na hora do bando do Papillon, no geral, as sobrepelizes ganharam cores que realçaram Seiya e os demais quando eles apareciam, não é?

O storyboard do episódio 4, confeccionado pelo senhor Junji Shimizu, que infelizmente não pôde participar deste encontro em virtude da agenda. O senhor Shimizu também integrou a série de TV como assistente da direção

Yamauchi: A própria paleta de cores do Seiya foi designada de modo a fazê-lo parecer normal quando escurecemos o entorno. Entretanto, quando a turma do Seiya aparece, ela fica mesmo maneira.

Sasaki: É verdade. Do que fiz, a cena em que o grupo de Seiya irrompe no fim do episódio 12 foi legal. Até aquela hora, houve momentos em que chegamos a pensar que os cavaleiros dourados eram refinados e galantes, ao passo que a turma de Seiya era um estorvo, mas, então, percebemos que eles é que são realmente os principais. (Risos.)

Storyboard da tomada em que Sion traz a armadura de Atena de volta à vida

 

HAVIA CAVALEIROS DE OURO QUE SEMPRE PERDIAM DO MESMO JEITO?!

 

— E quem seria o personagem predileto de cada um de vocês?

Yamauchi: Antigamente, eu gostava do Afrodite, mas, nesta série de agora, são o Dōko e o Sion. Os que foram fascinantes de dirigir foram o Saga e o Shura. Sobretudo o Shura… Foi satisfatória a figura do combatente que dá tudo de si com um semblante absolutamente impassível. É por isso que o número de sequências foi aumentando naturalmente.

O impassível Shura vai às lagrimas com a morte de Shaka

Moriyama: Desta vez, o Shura caiu sempre de cara no chão nas horas que levou uma surra, não é?

Todos: Hein?!

Moriyama: Embora os outros personagens caiam de corpo ou sejam arremessados contra paredes e tal, por alguma razão, apenas o Shura… (Risos.)

Nagamine: Mas eu quero tentar as quedas de cara no chão, sabe? Afinal, para começo de conversa, não posso fazer isso nas outras produções.

Sasaki: Por falar nisso, embora tenha havido um monte de quedas de ponta-cabeça, não houve muito “trator humano”, não é?

Yamauchi: “Trator humano”?…

Sasaki: Aquelas em que o sujeito vai rasgando o chão com os pés quando é jogado longe, sabe?

Yamauchi: Ah, de fato, eu não fiz nem mesmo uma vez.

Nagamine: Desta vez, não houve muitas cenas em que pudéssemos usar.

Sasaki: Talvez tenham sido só as cenas em que o Canon recebe a Agulha Escarlate, não?

Resignado a receber as 15 ofensivas da Agulha Escarlate, Canon é supliciado por Milo de Escorpião

Yamauchi: Aquele é um tipo de expressão que não se consegue obter a menos que eles sejam detonados por uma técnica tremendamente incrível.

Nagamine: Falando de personagens prediletos, o meu é o Radamante, mas eu joguei a toalha diante do fato de ele não dar as caras a menos que eu empilhe mais de 10 sequências nas aparições. É que, por ser um personagem com profundidade, não pude fazer com que ele aparecesse de supetão e começasse a tagarelar.

Yamauchi: Hein? Pensei que o favorito do Nagamine fosse o Aldebarã…

Nagamine: Como foi tratado muito mal no mangá, eu aumentei as cenas em que o Aldebarã aparecia levado pela famigerada simpatia pelo azarão. Mas aquela cena em que ele recebe a flor da menina tem bastante fundamento; está baseada no mito do touro.

Yamauchi: Hem? Aquela cena do encontro de casais tem esse tipo de significado?!…

A cena da garota ofertando uma flor à Aldebarã é uma conspícua alusão ao mito da transfiguração de Zeus num touro para sequestrar Europa, filha de Agenor e Telefaassa. A união de Zeus e Europa deu à luz Minos, Radamante e Sarpédon

Todos: (Explosão de gargalhadas.)

Sasaki: Naquela cena, como havia 3 cavaleiros de ouro e três garotas, entre nós do estafe, era dito: “Os cavaleiros dourados participaram de um encontro de casais, e o Aldebarã arrumou uma namorada”!

Itō: Já que, nos episódios que fiz, havia muitas cenas do Mu em ação, o personagem mais marcante também é ele.

Yamauchi: Os dois episódios que o Itō fez são os mais próximos da atmosfera do “Seiya” de antigamente.

Devido à inserção do curto confronto de Seiya com Papillon, a parte em que Mu dá uma lição de psicocinese ao espectro infelizmente foi sacrificada, prejudicando o acerto de contas extrassensorial dos contendores

Itō: Na verdade, por não conhecer muito a série de antigamente, eu sofri bastante! (Risos.) Em seguida, o Mestre-Ancião também foi legal. Quanto ao Mestre-Ancião antes do rejuvenescimento, graças ao fato de a pessoa a cargo da animação o ter desenhado com estilo, ele ficou galante.

Yamauchi: O Hayama, um animador especializado em desenhar músculos, ter desenhado um Mestre-Ancião com todo aquele sex appeal foi surpreendente.

Um patrimônio da indústria da animação japonesa, Jun’ichi Hayama ingressou na carreira de animador em 1983 e, sob a tutela do legendário diretor Masami Suda, desenvolveu um estilo único para desenhar personagens portentosos e musculosos. Ele passou pelas imagens-chave e pela direção de animação de episódios marcantes das duas séries do épico marcial Hokuto no Ken e de Sakigake!! Otokojuku. O senhor Hayama dirigiu a animação dos OVAs 6 e 10 de Hades: A Saga das 12 Casas. Embora o diretor Yamauchi e o assistente de produção Moriyama tenham ficado atônitos com sua destreza na animação do Mestre-Ancião, o diretor de animação a cargo do episódio 2, dirigido pelo senhor Naozumi Itō, foi o senhor Eisaku Inoue, um veterano igualmente talentoso que assinou a direção de animação de 11 episódios da série de TV. O senhor Itō provavelmente se referia ao diretor Eisaku Inoue

Hosoda: O Hayama estava falando que o Mestre-Ancião foi o mais fácil de desenhar. Em relação ao velho mestre, até os retoques do senhor Araki se tornaram desnecessários.

Apesar da decrepitude e do corpo encarquilhado, a figura do Mestre-Ancião emana dignidade

Todos: (Sorriso.)

Moriyama: Creio que só mesmo o senhor Hayama para operar os pelos nas orelhas do Mestre-Ancião… (Risos.)

Hosoda: Como aquilo é feito com tracejado em cores, é complicadíssimo. (Risos.)

Yamauchi: As falas também foram maneiras. “É uma ilusão” e tal…

Dōko declara que as vidas de Sion e dos cavaleiros ressuscitados são uma ilusão

Sasaki: Pessoalmente, o meu favorito é o Aiolia, mas o que me marcou talvez tenha sido o Ikki, que só consegui mostrar de relance no episódio que fiz. Eu pensava que conseguiria uma grande cena com ele no final, mas… em certo sentido, foi um desafortunado. 

O senhor Kunio Tsujita, do design de cores (à direita na foto), também é um membro remanescente do estafe da série de TV

Yamauchi: Peço desculpas. (Risos.) Como realmente não havia tempo sobrando no último episódio, acabei cortando as cenas em que o Ikki aparecia. Apesar de termos concebido o design do Ikki envergando a nova armadura e de ela já estar arrematada com a especificação de cores feita pelo Tsujita, não consegui mostrá-lo. Bem, se eu conseguisse fazer a continuação, então, desta vez, o Ikki seria protagonista.

Sasaki: É verdade.

Hosoda: Embora eu não pense em coisas como “gosto de determinado personagem” ou “desgosto de outro” quando estou no meio do trabalho, desta vez, entre as partes das quais me encarreguei, o Shaka do décimo capítulo me marcou. De qualquer forma, também foi porque ele é o personagem-chave, não é mesmo?

Fruto da cooperação do senhor Masahiro Hosoda com o animador Jun’ichi Hayama, a desintegração da alma de Shaka trouxe uma inédita representação artística ao título  

Sakurada: No meu caso, são o Sion e o Dōko. O senhor Tobita, intérprete do Sion, a princípio, participou de uma audição para o papel do Mu. Nessa hora, ele entoou “Muralha de Cristal” para nós, mas, quando o senhor Yamauchi pediu: “Declame de uma forma um pouco mais graciosa, por favor”, ele ficou a cara do Sion.

Célebre por interpretar o engraçado professor Ebisu, o “tarado enrustido” de Naruto, o senhor Nobuo Tobita realizou um trabalho formidável na composição do papel do gracioso Papa Sion

[A tomada com] o Sion e o Dōko no último episódio, em especial, ficou boa. Embora seja apenas uma conversa entre os dois, fui às lágrimas.

Yamauchi: Ainda por cima, foram falas de justificativa. Por detestar falas de explicação, eu geralmente corto tudo, mas, como era um conteúdo que não tinha como extirpar, eu deixei. Contudo, ao ver no filme, elas não soam de forma alguma como falas de explicação e acabam tocando fundo no peito. 

Sublime, a cena da despedida de Dōko e Sion é uma obra-prima que só poderia provir da sensibilidade do diretor Shigeyasu Yamauchi

 

AQUI ESTÁ O PONTO DE DETONAÇÃO DO COSMO DO ESTAFE!

 

— Para terminar, por favor, falem-me das impressões ao ter participado de “Seiya”. E, se houver nos episódios dos quais vocês se encarregaram uma cena do tipo “quero que prestem atenção nisto aqui”, permitam que eu saiba, por favor.

Itō: O início foi duro, sabe? Eu não conseguia me aproximar do gosto do senhor Yamauchi de jeito nenhum e era constantemente corrigido. Geralmente, eu não desenho mais que 100 páginas de storyboard por episódio, mas delineei cerca de 150 no episódio 2. Então, no episódio 7, como o senhor Araki me fez o leiaute, eu lhe sou grato, pois consegui estudar bastante. E, também, como havia um monte de gente ao redor falando “Queime o seu cosmo!” e coisas do tipo enquanto trabalhava, eu fiquei nervoso. (Risos.)

Hosoda: Quero que prestem atenção é no episódio 6. Como eu sabia que a colisão entre os 100 Dragões e a Revolução Estelar seria o clímax daquele episódio, ao delinear a última sequência em primeiro lugar, fui pensando retroativamente em que tipo de batalha eu deveria fazer até chegar ao highlight. Já que ficou com um acabamento espalhafatoso em virtude da simbiose das células com a parte digital, eu também gostei da animação.

Um dos mais talentosos protegidos do diretor Shigeyasu Yamauchi, o senhor Hosoda dirigiu 9 episódios da série de TV, produzindo capítulos primorosos como o 57, no qual trabalhou em parceria com o diretor Yamauchi, e como o 96, centrado no inesquecível embate de Shiryu e Siegfried. Exuberante, o choque dos ataques ultramortíferos de Dōko e Sion mexe com os sentidos dos espectadores   

Para mim, “Seiya” é a produção em que eu fiz meu primeiro storyboard após me tornar diretor. Foi por isso que, ao ficar sabendo que este novo trabalho seria produzido, implorei ao diretor e ao produtor, forçando-os a permitir que eu participasse. (Risos.) Oferecendo-me a oportunidade de reexaminar meu ponto de partida uma vez mais, “Seiya” é um trabalho pelo qual nutro muita gratidão. 

O senhor Hosoda tem uma atenção incomum para com a direção das técnicas secretas. O confronto dos golpes supremos de Dōko e Sion é uma cena imbuída de toda a alma deste profissional

Nagamine: Fazendo “Seiya”, senti que eu subi um nível, sabe? Como estive constantemente fazendo obras direcionadas a crianças, a exemplo de “Ojamajo Doremi”, quando comecei a me engajar no storyboard do episódio 3, cheguei a ficar perdido. Quando consegui, de algum modo, finalizá-lo, não consegui acreditar que era um storyboard que eu mesmo tinha feito. (Risos.) Mas, a partir desse ponto, consegui entrar no clima e, no episódio 8, fui capaz de retratar as sequências das técnicas secretas amarradão. No episódio 11, como a cena em que os cavaleiros dourados conversam enquanto fazem a pose da Exclamação de Atena continuava, tive problemas. E, no fim das contas, é um ponto de reflexão o fato de ter acabado saindo um storyboard que tem meramente um bom andamento. De qualquer forma, sou grato a “Seiya” por ter extraído várias coisas que estavam adormecidas até agora em meu interior. A minha cena preferida, como devem imaginar, é a sequência em que o Radamante toma uísque. Pois aquilo é, para mim, uma representação adulta.

Em contraposição ao brinde dos cavaleiros de bronze com suco de laranja, no episódio 23, Radamante bebe uísque

Todos: (Explosão de gargalhadas.)

Sasaki: Como “Seiya” era o meu maior desejo, foi legal ter entrado de cabeça, mas me pergunto se não acabei causando alguns problemas ao pessoal por não render o que se esperava do meu entusiasmo. Ainda bem que eles me permitiram aprender bastante. Porém, é muito frustrante a série acabar chegando ao fim, e eu não conseguir participar de mais que 2 episódios justo quando pensei que finalmente tinha pegado o jeito… Agora, sendo uma produção na qual estou envolvido, gostaria de mostrar os frutos de meio ano [de trabalho]. (Risos.) De todo modo, fazer “Seiya” foi divertido. Afinal, atualmente, não há muitas produções em que possamos representar tantas batalhas, e trabalhos com expressões emotivas que incluem ações por trás das cortinas, tal qual o uísque do Nagamine, raramente são encontrados.

Tsujita: Como, tecnicamente, estou envolvido em todos os 13 capítulos, gostaria que assistissem a todos os episódios. Mas, se fosse instado a falar, me pergunto se as impressões do episódio 11 ao 13 não seriam mais fortes. Embora também haja o fato de eu ter supervisionado o acabamento de todas as células no que diz respeito a esses três episódios, como eles foram exibidos em conjunto na TV, senti como se estivéssemos fazendo um trabalho para os cinemas. O trabalho finalizado foi arrematado de uma forma muito fascinante. Contudo, não existe uma produção tão estupenda na hora de botar a mão na massa. Além disso, também recebemos dos fãs uma resposta compatível com a dedicação envidada. Após o fim da série de TV, eu não pensei que chegaria o dia no qual eu conseguiria participar novamente de “Seiya”, mas quero fazer mais e mais.

O senhor Yoshihiro Moriyama (à esquerda), dos avanços da produção, trabalhou arduamente para responder às demandas dos animadores

Sakurada: Ao ouvir isso de vocês, como produtor, penso que estou feliz por ter feito [este trabalho].

Yamauchi: Vamos ouvir também o assistente de produção Moriyama. Na verdade, você foi o que mais se divertiu, não?

O storyboard do episódio 13, capítulo em que brilha a direção do senhor Yamauchi, que manipula o espaço sem restrições. A figura de Seiya ferido da cabeça aos pés e desafiando o inimigo sozinho também evoca reminiscências das produções do senhor Yamauchi para o cinema

Moriyama: Eu me diverti. Afinal, dizendo que queria fazer “Seiya” de qualquer jeito, uma sucessão de animadores talentosos foi se reunindo. Mas, não importava qual fosse o animador, ele já tinha definido o personagem que queria desenhar. “Eu quero fazer o Aldebarã!” e tal, “Tem de ser o Ikki!” e tal… Pedir aos diretores e dividir o trabalho de acordo com os desejos da galera foi complicado. (Risos.) Mas, por todos terem carinho pela série, eles fizeram um trabalho tremendamente bem-feito.

Yamauchi: Por falar no animador que queria fazer o Ikki, era a senhora Tomoko Kobayashi (que participou da série de TV como diretora de animação), mas ela estava com ódio do Sasaki.

Supertalentosa, a senhora Tomoko Kobayashi atuou na direção de animação de 15 episódios da série clássica, comandando os trabalhos em 4 capítulos protagonizados pelo Cavaleiro de Fênix. Além disso, ela liderou a animação do episódio 50, realizando um trabalho soberbo no desfecho do embate de Shiryu com Máscara-da-Morte na colina do Yomotsu

Sasaki: Por quê!?

Yamauchi: Como a senhora Tomoko queria desenhar o Ikki, ela assumiu as imagens-chave do episódio dirigido pelo Sasaki, mas falou que só foi colocada nas cenas dos mortos do submundo. “O senhor Sasaki certamente não gosta de mim!” — ela estava dizendo.

Sasaki: Nada disso! É que eu ouvia histórias de que a cena da série de TV a cargo da senhora Tomoko na qual os mortos se amontoam sobre o Máscara-da-Morte tinha ficado com uma qualidade soberba. Eu apenas interpretei erroneamente que isso significava que a senhora Tomoko gostava de zumbis.

Todos: (Explosão de gargalhadas.)

Por coincidência, a senhora Tomoko Kobayashi estava supervisionando imagens-chave do episódio 50 durante a visita de Chikako Morishita ao Tōei Dōga, em 1987

Yamauchi: Desta vez, como mal consegui compilar aquela história em 13 episódios, é uma pena que não pude inserir elementos de diversão. Talvez eu quisesse mais o dobro do tempo para cada um, sobretudo nos episódios 12 e 13.

Sasaki: Afinal, na série de TV, gastavam mais de 1 ano só para invadir as 12 Casas, não é? (Risos.) A priori, no episódio 12, havia uma cena na qual o Radamante ficava furioso por não poder lançar uma incursão militar devido à falta de autorização da Pandora e, apesar de o senhor Yamauchi devotar uma extremada atenção a ela, tivemos de cortá-la sem piedade. Chamo de “elementos de diversão”?… O Nagamine que era hábil em inserir sequências de fanservice. O Milo emprestando o ombro ao Camus na hora que todos eles vão ao encontro de Atena e tal… Até ver aquela cena, não havia muita gente que tinha se esquecido da configuração de que os dois eram melhores amigos?

Nagamine: É que aquilo estava especificado no roteiro da senhora Yokote.

Aludindo à notória amizade entre os dois cavaleiros dourados no mangá e na série de TV, a senhora Michiko Yokote compôs a cena em que Milo ampara Camus e a cena em que o Cavaleiro de Escorpião esgana o combalido Camus  

Yamauchi: Mesmo as sequências que podem ser tidas como fanservice não dão certo se não houver uma forma coerente de inserção. É mesmo! Agora há pouco, eu falei que gostava do Afrodite na época da série, mas, na verdade, era da Shaina! Eu gostava da Shaina que só atrapalhava o Seiya. Mas, como fico tenso quando tem uma cena em que ela dá um ar de sua graça, eu acabo por retratá-la de forma insensível. No roteiro, também havia uma cena em que a Shaina aparecia no último capítulo, mas eu tive de cortá-la por limitação de tempo. Se eu puder fazer a continuação da Saga de Hades, quero colocar a Shaina em ação de qualquer jeito.

Todos: (Explosão de gargalhadas.)

Olhando para trás, as dificuldades também foram rememoradas, mas o estafe é unânime: “Ainda não foi o bastante! Nós Queremos fazer a continuação de qualquer jeito!” Mal podemos esperar pelo dia em que uma nova pegada na história de “Seiya” será deixada por eles

 

 

 

 

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Aficionado sectário de Saint Seiya desde 1994, sou um misoneísta ranzinza. Impelido pela inexorável missão de traduzir todas as publicações oficiais da série clássica, continuo a lutar. Abomino redublagens.

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