“Neste trabalho, descobri uma nova gaveta em meu interior.”
COMPOSIÇÃO DA SÉRIE/ROTEIROS
A princípio, quando recebi a oferta para fazer este trabalho, sendo sincera por já ter passado, meu sentimento foi “Mas por que eu!?” (Risos.) Seria a sensação de que esta produção não tem nada a ver comigo?… Mesmo interpelando o produtor Sakurada com essa questão, ele só respondeu com um discurso do tipo “Não, não! Os rumores a precedem”. (Risos) Na minha cabeça, essa indicação é um mistério até hoje. (Risos.)
Depois que eu aceitei, como previa, houve uma pressão. Pensando em não trair as expectativas dos fãs, eu os priorizei acima de tudo. Seja no lado de quem produz ou no lado de quem assiste, eu sou a maior neófita; afinal, se tivesse de dizer, eu tinha a consciência de que era uma iniciante em “Seiya”.

Desta vez, tentando terminar a série, se questionada se fui capaz de atender perfeitamente às demandas dos fãs, também há partes em que não estou confiante. A esta altura, há falhas que vêm se tornando visíveis e tal. Mesmo assim, na hora de escrever os roteiros, eu dei absolutamente tudo de mim.
O ponto custoso foi mesmo a forma de inserir os cavaleiros de bronze no cerne da história. No mangá, há um desenvolvimento no qual o Mu manda o Seiya pelos ares na introdução da trama, e seu retorno ao centro da história ocorre na segunda parte da série. Se não houvesse o lapso temporal em relação ao trabalho anterior, eu gostaria de seguir a mesma progressão dos quadrinhos; porém, creio que também existem pessoas que verão esta obra pela primeira vez e, como há uma considerável passagem de tempo, pensei que é exatamente pelo fato de a série voltar depois de mais de 10 anos que não teria sentido se o Seiya, o ator principal, não desse as caras. Então, optei por um desenvolvimento como aquele. Com exceção do Ikki, fiquei satisfeita com a forma de aparição dos 5. Afinal, no que diz respeito ao Ikki, de um jeito ou de outro, o irmãozão já era superelusivo… (Sorriso amargurado.)
Na hora de botar a mão na massa, uma vez que escrever sozinha é desolador e como senti que entraria num beco sem saída, eu pedi ao Bun’ya Fujii, uma pessoa em quem posso confiar, que fizesse metade dos episódios. Roteiros não são a principal ocupação dele, mas se trata de uma pessoa tão talentosa que deve ser melhor do que eu, que só trabalho com isto, razão pela qual penso que pedir a ele que cuidasse de toda a saga da ascensão do Shaka ao Nirvana foi uma decisão correta. Não, no fundo, estou pensando “droga!” (Risos.)
Em termos de episódios, os mais memoráveis são mesmo os últimos 3. É que, nessa fase, pensei se finalmente não vinha conseguindo compreender a obra de nome Saint Seiya. No que se refere a esses episódios, à parte da composição da série realizada até o momento, produzi um plot (linhas gerais) que compilava os 3 capítulos e, a partir desse ponto, adotei uma forma de progressão em que várias versões se acumularam. Por natureza, sou do tipo que vai à luta com o primeiro rascunho, mas, como senti claramente que a densidade se elevava mais e mais a cada nova versão, as retificações não me incomodavam de modo algum.
Na prática, não entrou no filme por circunstâncias do tempo de duração, mas o final era uma cena em que o relógio de fogo se apagava, e a luz do amanhecer iluminava o Santuário em seu lugar. Genuinamente, “a manhã da resolução”. Afinal, na hora em que escrevia essa cena, meu sentimento era de que realmente havia me transportado ao Santuário. Ah, também chorei ao escrever a cena em que a Saori se suicida com a adaga. Hoje, seja lendo o cenário ou vendo o filme, fico emocionada. Quanto à impressão ao terminar de escrever os 13 episódios, o pensamento de que havia pessoas capazes de escrever melhor, de fato, ainda persiste.
No entanto, apesar dessa dedução, ainda bem que pude escrever esta obra — penso. O fato é que, além de poder descobrir uma nova gaveta em meu interior, exatamente por isso, fui capaz de saborear ao máximo a alegria e a diversão de ser abençoada com um estafe excelente. Ter tido a chance de o produtor Sakurada me mostrar as imagens-chave do leiaute do senhor Araki também foi uma experiência incrivelmente afortunada. Eu realmente me emocionei com o seu toque excelso.
É uma tergiversação, mas o mestre Masami Kurumada, o diretor Shigeyasu Yamauchi, eu e o senhor Katsumata, da Think Port, somos todos nascidos no ano da serpente. Eu até imagino se não foi por isso que nosso santo bateu!… Entre outras coisas, me pego pensando que seria bom se nossa relação se perpetuasse, ainda que fosse casual. Afinal, para o bem ou para o mal, as cobras são muito pegajosas. (Risos.)
Se houver uma oportunidade, quero escrever um novo “Seiya” elevando meu cosmo muito, muito mais. O Seiya, sabe… É que eu gosto, não no sentido ruim, daquele aspecto idiota, ou melhor, monomaníaco dele. Na hora de escrever os roteiros, também aconteceu de o ímpeto do Seiya fazer a história avançar. É que essas partes são coisas que eu não possuo dentro de mim… É por isso que, daqui para frente, gostaria que o Seiya continuasse passando cada vez mais por maus bocados… quero fazê-lo passar. (Risos.)
Ele não é um personagem que vai brilhando mais e mais à medida que enfrenta sofrimentos?… Cai de cara no chão, fica em frangalhos, mas sempre se levanta no final, disparando o Meteoro de Pégaso junto com uma fala ardente. É isso!