Autor: Fábio Vaz Mendes

Aficionado sectário de Saint Seiya desde 1994, sou um misoneísta ranzinza. Impelido pela inexorável missão de traduzir todas as publicações oficiais da série clássica, continuo a lutar. Abomino redublagens.

“Trata-se de uma produção felizarda, na qual as pessoas do estafe dão valor à música.”   Trilha Sonora    Considerando que eu já havia trabalhado, em programas diferentes, com o senhor Yoshifumi Hatano, com o senhor Kōzō Morishita e também com o senhor Morihiro Kawada* (produtor da TV Asahi), nosso reencontro em Seiya foi como uma reunião de ex-alunos, sabe? (Risos.) Sendo assim, foi fácil penetrar na produção.    No caso dos animes com difusão comercial na TV, no que tange à música, a praxe é compor todas as músicas de fundo que usarão no seriado e entregá-las antes de…

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“O primeiro episódio, no qual a música-tema passou pela primeira vez, também foi profundamente marcante.” Composição de Temas Sonoros     Quando se fala de temas sonoros de animes, mesmo que sejam inferiorizados como música em alguns lugares, nós (Make-Up) já nos agarramos a Seiya amarradões, com absolutamente tudo que temos. No meu caso, como foi a primeira vez que escrevi uma música para uma letra pronta, no início, eu fiquei inseguro. Mas, após a primeira barra de compasso, como posso dizer, fui totalmente tragado e fiz numa tacada só.    É por isso que, ao assistir à transmissão televisiva, posso…

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“É uma série de TV com qualidade comparável à das produções para o cinema.”    Direção de Fotografia    Apesar de fazer as mesmas fotos, Seiya é uma produção que demanda paciência, entende? Quando a transmissão óptica (efeito especial para a expressão da luz) é alta, uma só sequência chega a comportar 3 ou até 4 modalidades do recurso. Então, fazemos um trabalho bem complexo. Afinal, na direção de episódios da série, ninguém se satisfaz com efeitos ópticos que meramente brilham… (Risos.)    De fato, há ocasiões em que temos 1 ou 2 sequências por dia. Não se fazem tantas…

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“Em partes difíceis como as localidades mitológicas, o design leva tempo.” Design Artístico    Mesmo que chamem de design artístico, na verdade, o desenho de quase todas as imagens de fundo fica a cargo de outras pessoas (do mesmo estúdio). No meu caso, o trabalho é com as fichas de criação, design, painéis artísticos (esboços de imagens e afins) e coisas do gênero. Tenho feito isso desde o início da série televisiva.    A priori, vendo o mangá, fiquei pensando em como as armaduras e coisas do tipo seriam convertidas em anime na produção de Seiya, mas, com o sólido…

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“A simples variação das cores do céu no lapso de meio dia da Saga das 12 Casas possui uma infinidade de matizes.” Cenografia    No que se refere ao cenário de Seiya, acho que há umas 2 centenas de imagens por episódio; no entanto, como nós dois dividíamos o trabalho de desenhá-las, depois que entramos na “Epopeia do Anel Dourado”, eu e o Ōkouchi fomos encarregados do cenário, integrando o estafe principal.    Como o setor que chamamos de cenário também deve representar coisas como imagens e a passagem do tempo, mesmo na Saga das 12 Casas… ainda que seja…

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“Mesmo quando a animação se eleva, o cenário deve ficar impassível.” Cenografia    Quando falamos do trabalho nos cenários, nas ocasiões em que é rápido, desenhamos 20 ou até mesmo 30 imagens por dia, mas, como também há ocasiões em que desenhamos 1 imagem por dia, não existe um padrão.    Embora seja menos experiente que o Shikano, em Seiya, eu não desenho os cenários como fotos; eu o faço  esperando que, ao ser refletido pela TV, caso se trate de uma árvore, o desenho seja visto como algo que se pareça com uma árvore.    No caso do conteúdo…

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  O Templo da Coroa do Sol, na Colina da Dignidade, que se ergue das profundezas do Santuário; e o caminho para alcançá-lo…    As ruínas históricas e a estátua de Atena, que têm como pano de fundo um indefectível céu anil; o rochedo que Shun de Andrômeda sofre para escalar… Tentei transmutar o espaço abissal desses segmentos numa composição artística que valorizasse o jogo de luzes e sombras. Obs.: traduzida em 2007, esta publicação foi redigida sob a égide do Acordo Ortográfico vigente à época.

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— Ouvi falar que Saint Seiya foi o primeiro trabalho do senhor numa série de TV. Isso mesmo. Acho que foi bem no segundo ano após entrar na Tōei Animation.   — Qual é o procedimento pelo qual o trabalho no design de cores é realizado? Na Tōei daquela época, vigorava o “sistema do designer artístico”, no qual o designer artístico (diretor artístico) decidia todas as cores da tela. Em “Seiya”, era o senhor Tadao Kubota, do Estúdio Mukuo, quem exercia essa função, e recebíamos as especificações dele inclusive no que tange às cores dos personagens. As instruções já estavam inseridas…

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“Idealizamos as cores para que as células pudessem ficar independentes em relação ao cenário.”    Se fosse instado a dizer que tipo de trabalho é a especificação de cores, a priori, seria ir determinando as cores de personagens e equipamentos ao avaliar a conexão desses elementos com a série como um todo. É a construção das regras. Nós vamos decidindo as cores desses elementos mediante discussões com os designers e com o pessoal das artes, mas, na hora das configurações básicas, os produtores, o diretor-chefe e até os patrocinadores se reúnem.    Assim, baseando-se nas decisões resultantes desses procedimentos, a…

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“Uma produção que demandou tempo e esforço inimagináveis até então.”     Houve um número considerável de episódios do Shiryu nas vezes em que eu estive a cargo da direção, razão pela qual posso dizer que ele é o mais fácil de retratar. Embora eu prefira os personagens diretos aos complexos, se formos até o Seiya, ele é meio tapado. (Risos.) Antes de ascender ao posto de diretor de núcleo, o senhor Kikuchi dirigiu os episódios 37 e 60 do anime, partes que disputam a predileção dos fãs ainda hoje   Em contrapartida, por ter se desviado uma vez, o Ikki…

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