Autor: Fábio Vaz Mendes

Aficionado sectário de Saint Seiya desde 1994, sou um misoneísta ranzinza. Impelido pela inexorável missão de traduzir todas as publicações oficiais da série clássica, continuo a lutar. Abomino redublagens.

KŌZŌ MORISHITA (DIRETOR E PRODUTOR DA SÉRIE) — Para começar, por favor, conte-nos a história a partir do início do projeto. Era um projeto tocado por pessoas como o Yoshifumi Hatano, da produção, e o Ken Ariga, chefe da divisão de projetos na época. Naqueles tempos, o competidor do horário das 19 horas dos sábados, o Manga Nippon Mukashibanashi, tinha uma força avassaladora, e, pensando que não poderíamos vencê-lo com o mesmo conteúdo familiar, nós o enfrentamos com impacto. Eu fui contatado após a finalização de The Transformers: The Movie, que fiz no exterior. Foi por volta do período em…

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“Deixamos o conteúdo simples, fácil de entender; nos devotamos de corpo e alma à fotografia e à colorização.”   Por ser o diretor da série de TV, eu tive o privilégio de também me permitirem dirigir o filme. Eu não me recordo mais dos detalhes da produção, mas acho que o filme foi planejado para popularizar ainda mais o já famoso Seiya.    Com a novidade do filme, a motivação do estafe subiu, e, como a verba do orçamento também saiu, pudemos nos dar ao luxo de realizar extravagâncias.    Tencionando fazer algo absolutamente fascinante, utilizei toda a tecnologia que havia…

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“(…) eu tencionava expressar o poder dos quadrinhos da obra original no formato do anime.” ENTREVISTA Nº 1 — O DIRETOR DA SÉRIE — O senhor pode nos contar como se deu seu envolvimento nesta obra?     Como ingressei na obra?… Antes de participar da série, eu estava engajado numa produção conjunta com o exterior, um trabalho chamado Transformers: O Filme; e, como o iene também havia sofrido uma maxidesvalorização, os recursos eram abundantes, razão pela qual foi uma produção incrivelmente extravagante, sabe?     O orçamento era de tal magnitude que podíamos gastar de forma inexaurível.  Com isso, pudemos construir…

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O Diário de Trabalho do Produtor Kōzō Morishita    O panfleto do terceiro filme da série, A Lenda dos Jovens Carmesins (A Batalha de Abel) presenteou os fãs da série com a publicação do diário de trabalho de Kōzō Morishita, co-produtor do longa-metragem.    Trata-se de registros valiosos do andamento dos trabalhos, notas auto-explicativas sobre as fases da confecção de um anime. Obs.: traduzida em 2007, esta publicação foi redigida sob a égide do Acordo Ortográfico vigente à época. 15 de fevereiro de 1988 (sala de conferências do Q.G. da Tōei)    Está decidido! Saint Seiya neste verão! Um longa-metragem…

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“Eu quero retratar a filosofia de vida dos homens. Não tem havido trabalhos desse gênero ultimamente.”  O Diretor da Série    Antes de fazer Seiya, eu estava engajado num trabalho em cooperação com os Estados Unidos, mas, para a minha surpresa, nele pude fazer uma miríade de coisas. Logo, entrei no primeiro episódio de Seiya embalado com o mesmo frenesi e acho que esse afã continuou me guiando. Nesse ímpeto, pude seguir com o episódio 2 e o 3 num só fôlego. Eu Senti que realmente acertei em cheio. É que pude pensar em várias coisas relacionadas à ação…

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“(…) ainda que a obra também seja esplêndida, nós animadores somos gratos por ter podido fazê-la enquanto nos divertíamos.” ENTREVISTA Nº 1 — CHARACTER DESIGN Para começar, o senhor poderia nos contar como se deu seu envolvimento em Saint Seiya? Como foi logo na época em que a serialização do mangá havia começado na Shōnen Jump semanal, eu não tinha nem ideia do que era Saint Seiya. Num belo dia, recebi um telefonema do senhor Yoshioka, diretor da Tōei Animation, que me perguntou: “Não quer experimentar este tipo de personagem?” Foi assim que a oportunidade apareceu. À primeira vista, ao…

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“(…) mas por que sou capaz de me entregar tanto ao trabalhar em Seiya?… Mesmo para mim, é um mistério. É provável que o conteúdo da história combine com algo em meu interior.” Juventude ativa na antologia de mangás de aluguel “Machi”  —  Antes de se tornar animador, o senhor estreou como autor de mangás na adolescência. Considerando que esse foi seu debute no ramo do desenho, acho que deveríamos começar pelas histórias dessa época. Eu desenhava num mangá de aluguel chamado Machi (revista mensal lançada em 1957 pela editora Central). Depois de estrear, continuei desenhando mensalmente por cerca de…

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“Estou batalhando para fazer a turma de Seiya, que ficou muito magra, voltar ao normal no filme deste verão.” Character Designer e Diretor de Animação     Quando houve a primeira conversa a respeito do character design do anime, li o mangá para ver e achei os personagens bem-feitos, porque, além de estarem imbuídos de todos os elementos necessários a um personagem, a caracterização como desenho estava feita. Assim, me esforçando para conseguir reproduzir isso em sua forma natural na tela, criei os personagens de acordo com o mangá. Com o objetivo de deixá-lo atraente como anime, e não idêntico ao…

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— Para começar, gostaríamos que a senhora nos contasse toda a história de como ingressou em Saint Seiya. Atendemos ao pedido do senhor Yoshifumi Hatano, produtor da Tōei Animation. Como a obra original havia acabado de começar na época da oferta, nem mesmo o primeiro encadernado estava à venda. Assim, ao receber cópias das revistas da Jump do senhor Hatano, nós as usamos como uma referência para o trabalho. Como eu já gostava de mitologia grega, consegui penetrar facilmente no universo da obra.         — Como a senhora e o senhor Araki dividiam o trabalho no design? Trocando opiniões enquanto fazíamos…

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“(…) haja vista o meu antigo fascínio pela Grécia e por Roma, foi fácil penetrar no universo da obra, apesar do número considerável de experimentos no trabalho do design.” Babel II foi o estopim — O que estimulou a senhora a entrar na indústria da animação? O fato de ter visto um trabalho do mestre Araki na TV. Assistindo a Babel II, eu fiquei encantada pelos desenhos do primeiro e do segundo episódio; contudo, percebi que o padrão dos desenhos mudou no episódio 3. Foi a primeira vez que tive a consciência de que as obras chamadas de animes eram…

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